quarta-feira, 21 de abril de 2010

Desordem

Desordem



Pessoas no lugar errado,

pensamentos no lugar de sonhos.

Sonhos desfocados da vontade,

vazio no coração.

Palavras que nada exprimem,

caminhos que não conduzem.

Mensagens que não ensinam,

éticas jogadas no chão.

Ideologias cruzadas,

destinos paralelos.

Ilhas humanas

de objetivos naufragados.

O horizonte esconde

o resto do caminho.

Os pés confiam,

vão em busca do futuro.

No escuro do silêncio

a alma pede perdão.


Roberta Marcon
© Todos os direitos reservados

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010


Eu e a Noite


Fecho os olhos

e ouço a noite chegando.

O frio das paredes se espalha

no meu peito.

Frestas e vãos ainda entregam um

pouco de luz fraca.

Procuro dentro de mim

um motivo para não me distrair,

não posso dormir.


Quero estar acordada

enquanto a noite avança.

Quero ouvir seus lamentos

e sentir seus medos,

descobrir as razões,

desvendar alguns segredos.

Quero a companhia

de sua solidão.


Não me importam

seus riscos,

nem me incomodam seus caprichos.

Enquanto houver o horizonte negro

além da minha janela,

onde o céu abraça o chão

o tempo inteiro,

pensamentos são flores perdidas

e fazem de mim

o seu canteiro.


Não será preciso procurar,

as coisas vêm ao meu encontro.

As palavras que esqueci,

os amigos que tive,

os abraços que eu dei,

as rugas que não notei...


O frio da noite refresca

a memória.

Dos seus porões saem

as dúvidas.

Em seus corredores ecoam

as respostas.

Roberta Marcon

© Todos os direitos reservados

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Pensando na Palavra...



“Ex abundantia cordis os loquitur”

A boca fala do que é abundante no coração.



“Ninguém pode calcular a potência venenosa de uma palavra má num peito amante”.

(Shakespeare)

“Cada ser humano é único; é uma palavra de Deus que não mais se repete”.

(Karl Adam)

“A palavra foi dada ao comum dos mortais para comunicar os seus pensamentos e aos sábios para os disfarçar”.

(Robert South)

“É muito silêncio enquanto as flores não crescem e os poetas dormem”.

(Eolo Yberê Libera)

“Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-lo”.

(Voltaire)

“A palavra é metade de quem a pronuncia e metade de quem a escuta”.

(Montaigne)

"Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra - a entrelinha - morde a isca, alguma coisa se escreveu".

(Clarice Lispector)

“Quem não compreende um olhar também não compreenderá uma longa explicação”.

(Provérbio árabe)

“Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução, alguns dizem que assim é que a natureza compôs as suas espécies”.

(Machado de Assis)

“Por vezes a palavra representa um modo mais acertado de se calar do que o silêncio”.

(Simone de Beauvoir)

“Sou um monte intransponível no meu próprio caminho. Mas às vezes por uma palavra tua ou por uma palavra lida, de repente tudo se esclarece”.

(Clarice Lispector)

sábado, 2 de janeiro de 2010



E mais um ano se inicia...
É quase inevitável, nessa hora, pensar um pouco mais na vida, fazer um "balanço final" e desejar que tudo melhore um pouco... até o que já está bom!
Isso é muito saudável! Acreditar que tudo pode sempre melhorar é ótimo!
E precisamos acreditar nisso, pois vivemos numa época difícil, num mundo conturbado.
Precisamos nos aproximar das pessoas, precisamos nos comunicar mais.
Precisamos acreditar.
Escrevi "Promessa de Ano Novo" num momento final. Um texto é um momento de vida. E naquele momento era o que eu sentia.
Agora, já em 2010, preciso me "redimir" e dizer: acho que quero, sim, prometer algumas coisas... Não muitas, não tão grandes, impossíveis ou impetuosas, mas algumas que considero importantes.
Amar muito as pessoas e me doar mais a elas.
Acho que será esta a minha meta para este ano, minha regra geral.
E qual é a sua?

Desejo a todos um ano maravilhoso!!!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Promessa de Ano Novo

Promessa de Ano Novo


Só o que quero prometer

para este ano novo

é que não vou prometer mais nada.

Não quero uma lista de ideias

que pareçam simples no papel,

nem decisões coagidas

pelo espírito de renovação.

Não quero uma lista

de problemas e defeitos,

nem meus e nem dos outros.

Não pretendo usar

o próximo ano para consertar

os erros, pois teria

que me lembrar deles bem agora...

Como poderia começar o ano melhor

se fosse já pensando no que não deu certo?

Não creio na auto-avaliação

com data marcada.

Ela há de ser honesta,

constante e em que tempo for.

Por hora eu quero apenas pensar

que cumpri mais uma etapa,

que tive escolhas e as fiz.

Assumi meus riscos

para aproximar meus sonhos.

Não quero julgar

nem questionar,

muito menos me comprometer

com minhas ações do futuro.

Prefiro chegar até ele devagar.

Prefiro conhecê-lo aos poucos,

sem disfarces ou segundas intenções.

Quero me apresentar a ele

de mãos vazias

e sempre prontas para o trabalho.

Quero chegar sabendo

e aceitando

o fato de que nada é perfeito,

mas que também desta vez

continuarei tentando fazer

o melhor que puder.

Afinal, o calendário de nossa memória

é mais flexível

e tem efeito acumulativo.

Um ano se vai, o outro chega.

Cada um de nós avança mais um passo...


Roberta Marcon

© Todos os direitos reservados


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Saudade

Saudade


Busco na memória

e começo a cultivar lembranças.

Penso em pessoas, lugares, rotinas,

tudo o que um dia

ficou para trás.

Em algum lugar

tudo aquilo ainda existe.

A saudade, oportunista,

apodera-se do momento

e rouba meu presente.

Meus pensamentos

já não cabem mais em mim.

Lenta e profundamente

sou conduzida ao passado.

Nada sei do momento da partida,

nem como chego lá,

mas reavivo as cores

e sinto o cheiro do tempo.

Ouço o som conhecido

de vozes e risos,

editados pela saudade.

Pessoas queridas

que já se foram,

seus planos interrompidos.

O que faltou fazer?

O que queriam me dizer

e não disseram?

Ainda estão comigo.

Ainda são jovens e sonham.

Não sabem que seu tempo não espera.

Também não sei eu sobre o meu.

Só encontro nele uma fresta

e viajo de volta,

impune, coração disparado,

saudade demais...

Roberta Marcon
© Todos os direitos reservados



quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Seu Amor

Seu Amor


Sob uma fina camada de gelo

vivia dormente o meu coração.

Ensaiava alegria

e testava a memória

de sonhos vividos,

contados na história

um tanto esquecida

do antigo desejo

de ter emoção.

Ouvia falar de uma luz verdadeira

que guardava o segredo

de todo o querer.

Mais quente que sol,

mais bela que a lua,

mais forte que a própria

razão de viver.

Quando esse brilho aqueceu meu peito,

abriu meus olhos,

encantou meu ser.

Descobri um mundo novo

que já existia.

O mundo era meu

e eu não sabia.

Mudou o conceito

que eu tinha de viver.

O universo que se abriu

diante dos meus olhos

afastou as sombras

e me trouxe calor.

Provou a existência

de uma força invisível.

Mudou meu mundo,

que eu julgava previsível,

e que só pude perceber

quando encontrei

o seu amor.


Roberta Marcon

© Todos os direitos reservados



terça-feira, 10 de novembro de 2009

Tempo Feliz

TEMPO FELIZ

As vozes que ouvia

não vinham de longe,

mas de algum lugar

que sobrava em mim.

Chamavam baixinho,

convite discreto

para saber os segredos

dos dias tranquilos,

das saudades libertas

e dos sonhos maduros

que já tinham razão

e permissão para existir.

Cruzava os mares revoltos

dos pensamentos

e conquistava as terras firmes

de aprender a viver.

Ocupava o espaço,

ganhava o tempo

e descobria vida sob os escombros

das conclusões precipitadas,

edificadas no solo arenoso

e instável das emoções.

Desculpas aceitas,

acordos firmados,

lições aprendidas

e coração em paz.

O abraço da noite

me confortava,

acendia as luzes do meu coração.

Descansava sabendo que era feliz

e adormecia a vida dentro de mim.


Roberta Marcon

© Todos os direitos reservados



sábado, 7 de novembro de 2009

Cada Novo Dia

Cada Novo Dia

Gosto de pensar que o dia começa novo,

limpo, puro,

e que nele é possível imprimir o que quiser.

É hora de acordar.

Velhas rotinas, novas esperanças.

Em cada mente um desafio,

em cada coração uma vontade.

É hora de querer.

À luz da manhã, os problemas

assumem formas diferentes,

as coisas parecem mudar.

São novos planos,

estratégias, soluções.

É hora de pensar.

Pensar que se tem asas,

mesmo que não queira voar.

Pensar que as tintas e os pincéis

estão em suas mãos,

e que a tela branca do novo dia

espera por seus traços, suas cores.

É hora de pintar.

Não foi permitido rascunhar,

e não haverá tempo para refazer.

A cidade acorda,

as ruas e as pessoas tomam vida.

Ali os destinos se cruzam

e fazem o dia acontecer.

É hora de viver.


Roberta Marcon

© Todos os direitos reservados



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